Depois de um ano de dedicação, desafios e descobertas, chegou ao fim mais uma etapa do Letramento Digital, projeto desenvolvido pelo CEGAFI com foco em juventude rural, inclusão digital e transformação territorial. Mais que um curso ou oficina, o Letramento Digital foi uma experiência vivida, gamificada, participativa e transformadora.
Caminhos digitais que nascem do território
Inspirado na estrutura de jogos, o projeto se desenrolou em torno de 4 jornadas temáticas do conhecimento: jornada digital, jornada de cidadania, jornada de cartografia e jornada de coleta. Estas jornadas foram compostas por módulos e missões, que proporcionaram conhecimentos em ferramentas digitais e desafios reais baseados nas necessidades das comunidades onde vivem os jovens participantes. Ao todo, foram mais de 2.200 missões cumpridas por cerca de 35 jovens agentes, divididos entre cinco assentamentos nos estados de Goiás, Minas Gerais e no Distrito Federal. Os participantes investigaram problemas locais, como acesso à saúde, educação e oportunidades de trabalho, e propuseram soluções com o apoio de ferramentas digitais e saberes comunitários.

Durante essa caminhada, aprenderam a usar Canva, Excel, Google Sheets, ferramentas de georreferenciamento e coleta de dados, sempre orientados por uma metodologia ativa e baseada em situações-problema. Mais do que dominar a tecnologia, o foco era torná-la relevante para seus contextos sociais, culturais e produtivos.
O evento de encerramento: trocas, escuta e visibilidade
O encerramento desta importante etapa com os jovens do campo aconteceu na Universidade de Brasília – Campus Planaltina, sede do CEGAFI. Por dois dias, o espaço acadêmico se transformou em ponto de encontro entre universidade e território. O evento incluiu oficinas de ensino, pesquisa e extensão, além de rodas de conversa e apresentações conduzidas pelos próprios jovens.

No segundo dia, os agentes compartilharam suas experiências e transformações diante de uma plateia formada por representantes do Governo Federal, da universidade, de movimentos sociais e da sociedade civil. A mensagem foi clara: o projeto funciona e precisa ser replicado.


Aprendizados que permanecem
A mudança foi visível e mensurável. No plano individual, os jovens encerraram o ciclo mais preparados para o mundo do trabalho e da cidadania digital. Desenvolveram habilidades como comunicação, proatividade, criatividade e pensamento crítico. Com isso, os jovens aprenderam a usar a tecnologia não só como ferramenta, mas como ponte para empreender, estudar e apoiar suas comunidades.

Mas os impactos não ficaram apenas no plano pessoal. Nas comunidades, os efeitos se multiplicaram: houve fortalecimento do engajamento social, criação de pontes entre universidade e campo, mobilização em torno de direitos, políticas públicas e soluções práticas para problemas locais. O protagonismo jovem emergiu com força.
Quando o engajamento vira jogo e o jogo vira mudança
A gamificação foi um dos grandes trunfos do projeto. Cada jovem agente possuía uma profissão dentro do jogo, recebia moedas e acumulava experiência conforme avançava nas missões. As metas de desempenho individual e territorial eram monitoradas por um sistema próprio, criando uma dinâmica envolvente, colaborativa e estratégica.
Entre as recompensas, estavam bolsas de participação, o direito de uso de smartphones durante as jornadas e, para quem atingisse os níveis mais altos, a posse definitiva do aparelho. Mas a maior conquista, sem dúvida, foi a formação de redes e o senso de pertencimento territorial.

A urgência da inclusão digital no campo
A exclusão digital ainda é um dos maiores desafios enfrentados pelas populações rurais no Brasil. Mais de 7 milhões de domicílios seguem sem acesso à internet, o que compromete o exercício pleno da cidadania. A proposta do Letramento Digital, portanto, vai muito além do ensino de tecnologia: trata-se de ampliar horizontes, fortalecer comunidades e garantir acesso a direitos.
A partir da experiênica-piloto, o projeto também se conectou ao monitoramento da produção de agricultores nos núcleos alvo do projeto, realizando cerca de 240 coletas. Essa iniciativa reforça o potencial das TICs no apoio à formulação de políticas públicas.
O que vem agora
O Letramento Digital nos mostrou algo fundamental: quando jovens do campo têm acesso às ferramentas certas, eles transformam sua realidade. Investir na juventude rural é mais do que uma aposta social, é uma estratégia de futuro sustentável.
Esse encerramento é, na verdade, um novo ponto de partida. O desafio agora é ampliar: envolver mais comunidades, alcançar novos territórios, criar outras fases nesse jogo da vida real. Porque, como os próprios jovens provaram, com oportunidade, o campo se conecta, se fortalece e floresce.
Quer saber mais? Confira abaixo o vídeo especial de encerramento apresentado para toda a comunidade acadêmica e jovens, apresentando o projeto e seus impactos na juventude rural:





