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ENTENDA TUDO SOBRE AGRICULTURA REGENERATIVA, A NOVA TENDÊNCIA DO MEIO AGRÍCOLA

  • comunica1980
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

A agricultura regenerativa é um dos assuntos mais debatidos no setor agrícola nos últimos anos, consolidando-se como uma tendência essencial para o futuro do campo. Mas afinal, o que significa regenerar? Segundo o dicionário online de português, o significado de Regenerar (verbo transitivo direto e pronominal) consiste em: construir novamente; desenvolver ou realizar algo outra vez, como por exemplo, “esse tratamento regenera os tecidos”; “as células regeneraram-se". No contexto da agricultura, é o processo de recuperar a saúde dos ecossistemas enquanto produzimos alimentos.

 

AGRICULTURA REGENERATIVA, GESTÃO DE IMPACTOS E SUSTENTABILIDADE

 

A agricultura regenerativa baseia-se na minimização dos impactos negativos sobre os recursos naturais (físicos, químicos e biológicos), no processo de semeadura de culturas, garantindo uma iniciativa mais sustentável e responsável, através de práticas como:



Rotatividade de culturas: cultivar espécies diferentes para quebrar ciclos de pragas e repor nutrientes.

Plantio direto: semear sem revolver o solo, preservando sua estrutura.

Aumento de matéria orgânica do solo: transformar o solo em um organismo vivo e fértil.

Cobertura permanente do solo: uso de palhadas ou plantas de cobertura para evitar a erosão. 

 

 

AGRICULTURA REGENERATIVA E SUA IMPORTÂNCIA PARA O AGRICULTOR 

 

A agricultura regenerativa é um elemento vital para a manutenção da renda e a sobrevivência de quem vive do campo, pois garante a produtividade do solo a longo prazo. Para o agricultor familiar, essa abordagem vai além de uma técnica: é uma estratégia fundamental de autonomia e resiliência. Diferente dos grandes latifúndios, as pequenas propriedades dependem da saúde de áreas limitadas de terra, e a adoção de sistemas como a agroecologia e a agrofloresta permite reduzir drasticamente a dependência de insumos externos caros, como fertilizantes químicos e agrotóxicos.

Ao adotar boas práticas de manejo, o agricultor assegura o sucesso de safras consecutivas, colaborando para um mundo livre da degradação e com maior segurança alimentar. Essa diversificação de culturas, típica do sistema regenerativo, não só protege a mesa da própria família, como gera múltiplas fontes de renda ao longo do ano. Além disso, plantas cultivadas em ambientes equilibrados desenvolvem-se com maior qualidade, resultando em produtos mais valorizados pelo mercado. No fim das contas, um solo regenerado retém mais água e nutrientes, protegendo o pequeno produtor contra secas severas e garantindo que a herança da terra seja transmitida com saúde para as próximas gerações.

 

MAS E SE JÁ ESTIVER DEGRADADA? 

 

Não se desespere! A regeneração é possível. Com a assistência de técnicos especializados, realiza-se um diagnóstico para entender os motivos pelos quais a área está degradada e a partir disso, aplicam-se as técnicas de manejo sustentável que podem auxiliar no processo de recuperação da capacidade produtiva do solo e da área de maneira geral. O solo é resiliente, quando tratado com as técnicas certas, ele responde rapidamente recuperando sua fertilidade natural.  

 

AGRICULTURA REGENERATIVA E A COMPENSAÇÃO DE CARBONO

 

A degradação ambiental que pode ocorrer em áreas agrícolas devido ao desmatamento excessivo e a falta de cobertura vegetal podem contribuir severamente para o enfraquecimento da capacidade do solo de armazenar e sequestrar os gases de efeito estufa (GEE), consequentemente diminuindo a capacidade de retenção de carbono. 

O sistema regenerativo de agricultura favorece a manutenção do nitrogênio necessário para o sequestro de carbono pelo solo. Isso se dá por meio do plantio de leguminosas que fixam o nitrogênio ou até mesmo de árvores na região onde se desenvolvem as atividades agrícolas, tornando-se dispensável o uso de nitrogênio sintético. 

 

LEGUMINOSAS QUE FAVORECEM O SEQUESTRO DE CARBONO

 

As leguminosas podem ser plantadas para servir como cobertura de solo em sistemas regenerativos, atuando em simbiose com bactérias do tipo Rhizobium. Esse processo auxilia na fixação do nitrogênio atmosférico, alimentando as plantas e os microrganismos do solo de forma natural. Essas plantas são aliadas fundamentais na luta contra as mudanças climáticas, pois o aporte de nitrogênio impulsiona o crescimento vegetal e, consequentemente, potencializa a captura de carbono da atmosfera. Esses métodos não somente ajudam a prolongar a saúde e a fertilidade do solo, como também auxiliam na manutenção dos ecossistemas, no controle de pragas e no enfrentamento dos desafios ambientais modernos. Para obter esses resultados no Brasil, as espécies mais recomendadas são:

Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis): possui um crescimento rápido e produz uma grande quantidade de biomassa, o que é excelente para cobrir o solo e fixar carbono profundamente;

Mucuna-preta (Mucuna pruriens): conhecida por sua agressividade no crescimento, éimbatível no controle de ervas daninhas e na incorporação de nitrogênio e matéria orgânica;

Crotalária (Crotalaria juncea e C. spectabilis): além de fixar nitrogênio, ajuda no controle de nematoides no solo, melhorando a saúde sistêmica da plantação;

Guandu (Cajanus cajan): por possuir raízes profundas, consegue buscar nutrientes em camadas inferiores e estocar carbono em níveis onde ele fica mais protegido da decomposição rápida;

Glicínia ou Soja-perene (Neonotonia wightii): ótima para pastagens consorciadas, ajudando a regenerar áreas de pecuária degradadas.

 

O Cegafi também possui iniciativas para a compensação de carbono por meio do plantio e manejo de espécies nativas do Cerrado em uma área degradada no Parque Sucupira em Planaltina DF, para saber mais sobre essa iniciativa visite o seguinte link: https://www.cegafiunb.com/cegafi-compensa-carbono/ 

 

REFERÊNCIAS

CATHOLICO, Patrícia Helena. Agricultura regenerativa e sua contribuição para a redução de emissões de carbono: uma revisão de literatura. 2025. Artigo (MBA em Projetos Sustentáveis e Inovações Ambientais) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2025.

DICIO. Regenerar – Dicionário Online de Português. Disponível em:https://www.dicio.com.br/regenerar/. Acesso em: 10 fev. 2026.

EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Artigo – Agricultura regenerativa – o que significa, o que regenerar? Embrapa, 20 jun. 2024. Disponível em:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/90285437/artigo---agricultura-regenerativa--o-que-significa-o-que-regenerar. Acesso em: 10 fev. 2026.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Fixação biológica de nitrogênio e o sistema plantio direto. Brasília, DF: Embrapa Solos, 2021.

FAO. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O estado dos recursos de solos no mundo: gestão sustentável e regeneração. Roma: FAO, 2022.

IMAFLORA. Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola. Diretrizes para a Agricultura Regenerativa: conceitos e métricas de impacto. Piracicaba, SP: Imaflora, 2023.

 

 
 
 

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