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Territórios em Regeneração: tecnologias para recuperação de pastagens e pecuária de baixo carbono

comunica1980
há 6 dias
5 min de leitura

Como tecnologias digitais podem contribuir para a recuperação de pastagens e para uma pecuária de baixo carbono? Essa foi uma das questões centrais discutidas durante o Territórios em Regeneração: Missão Técnica Brasil–Colômbia, realizado entre os dias 9 e 11 de setembro de 2026, na Universidade de Brasília (UnB).


Promovido pelo Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar (CEGAFI/UnB) e pelo Instituto Avançado de Pesquisa e Estudos do Cerrado (IAPEC), o encontro reuniu pesquisadores, especialistas e representantes do setor produtivo em uma programação voltada à integração entre ciência, tecnologia e práticas aplicadas ao território.


Ao longo de três dias, a missão técnica abordou temas como recuperação de pastagens, monitoramento da biomassa forrageira, agricultura digital, tecnologias 4.0, captura de carbono e inovação aplicada à pecuária, aproximando o conhecimento produzido na universidade de desafios concretos do campo.



Tecnologia e inovação para a recuperação de pastagens


A programação teve início no Parque Científico e Tecnológico (PCTec/UnB), com uma recepção oficial e uma reunião de trabalho entre as lideranças do CEGAFI e do IAPEC.


O encontro teve como foco o alinhamento de oportunidades de transferência de tecnologia e inovação, fortalecendo a cooperação entre as instituições e criando bases para o desenvolvimento de soluções voltadas aos desafios da produção agropecuária.


Na parte da tarde, a programação seguiu para a Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV/UnB), onde o Prof. Dr. Oscar Ospina apresentou uma palestra sobre os caminhos para uma transformação mais sustentável dos sistemas produtivos.


Durante a apresentação, o pesquisador destacou a necessidade de superar uma visão tradicional da chamada “revolução verde” e ampliar a capacidade de observar os sistemas produtivos a partir de uma perspectiva ambiental e territorial.


Entre os conceitos apresentados esteve a importância dos chamados “olhos sustentáveis”, além da discussão sobre a transição de métricas de GWP (Global Warming Potential) para GTP (Global Temperature Potential).


A palestra também apresentou dados sobre o potencial de captura de carbono de pastagens de alta eficiência. Segundo os dados apresentados durante o encontro, essas áreas podem alcançar taxas de captura de até 412 g/m² de CO₂, reforçando a importância do manejo adequado das pastagens nas discussões sobre sustentabilidade e mudanças climáticas.



Como drones e tecnologias digitais ajudam a monitorar pastagens?


No segundo dia, a discussão saiu do ambiente acadêmico e foi levada para uma atividade prática na Fazenda Água Limpa (FAL/UnB).


O Dia de Campo reuniu pesquisadores da UnB, representantes da Embrapa e profissionais do setor produtivo para demonstrar, na prática, como ferramentas digitais podem apoiar o monitoramento e a tomada de decisão em sistemas de produção pecuária.


Durante a manhã, foram realizados voos de drone sobre os piquetes da Fazenda Água Limpa. As imagens obtidas foram utilizadas com o algoritmo 2ARGB®, desenvolvido para estimar a biomassa e avaliar o vigor das áreas de pastagem.


O uso de ferramentas desse tipo permite transformar imagens do território em informações que podem apoiar o acompanhamento das condições das pastagens. Na prática, isso aproxima o produtor e os pesquisadores de uma gestão baseada em dados, com maior capacidade de identificar diferenças entre áreas e acompanhar a evolução dos sistemas produtivos.


A atividade também evidenciou o papel das tecnologias 4.0 na agricultura, especialmente na integração entre sensoriamento remoto, processamento de dados e ferramentas digitais de apoio à gestão.



Do dado à decisão: monitoramento e manejo de precisão


Na parte da tarde, os participantes acompanharam uma oficina dedicada ao processamento das imagens captadas durante os voos de drone e à integração dessas informações com a plataforma TaurusWebs®.


A atividade permitiu realizar simulações práticas relacionadas a diferentes aspectos do manejo de pastagens, incluindo taxa de lotação, capacidade de suporte e adubação de precisão.


A integração dessas informações é um dos caminhos para transformar dados coletados no campo em instrumentos de apoio à decisão.


Mais do que coletar imagens, o desafio está em estruturar os dados para que possam ser interpretados e utilizados no planejamento das atividades produtivas. É nesse ponto que a agricultura digital e as tecnologias 4.0 podem contribuir para aproximar pesquisa, gestão e prática no território.



Pecuária de baixo carbono e recuperação do Cerrado


A recuperação de pastagens também está diretamente relacionada aos debates sobre sustentabilidade da produção agropecuária e mudanças climáticas.


Em áreas de pastagens degradadas, a recuperação da capacidade produtiva pode envolver diferentes estratégias de manejo e uso de tecnologias para compreender as condições do solo, da vegetação e da produção de biomassa.


Nesse contexto, o monitoramento digital pode contribuir para gerar informações mais precisas sobre o território, enquanto estratégias de manejo e recuperação podem favorecer sistemas produtivos mais eficientes.


A discussão realizada durante o Territórios em Regeneração buscou justamente conectar essas diferentes dimensões: produção, tecnologia, pesquisa, recuperação ambiental e sustentabilidade climática.


A proposta não se limita à adoção de uma ferramenta tecnológica isolada. Trata-se de compreender como dados, conhecimento científico e tecnologias digitais podem ser incorporados aos processos de decisão e utilizados de acordo com as características de cada território.



Brasil e Colômbia: cooperação para inovação no campo


A dimensão internacional também foi um dos elementos centrais da missão técnica.


A aproximação entre Brasil e Colômbia permitiu discutir possibilidades de cooperação científica, transferência de tecnologia e desenvolvimento de soluções aplicadas aos territórios rurais.


A iniciativa parte do entendimento de que desafios relacionados à produção agropecuária e à sustentabilidade podem ser enfrentados de forma mais consistente quando diferentes instituições e redes de conhecimento compartilham experiências, metodologias e tecnologias.


Nesse processo, a universidade ocupa um papel estratégico ao conectar pesquisa científica, formação, inovação e demandas concretas da sociedade.



Pesquisa, setor produtivo e território: construindo soluções em conjunto


Ao longo da programação, a missão técnica reuniu diferentes atores do ecossistema de inovação: universidade, redes de pesquisa pública, terceiro setor e cadeia produtiva.


Essa articulação é fundamental para que novas tecnologias não permaneçam restritas ao ambiente de pesquisa, mas possam ser testadas, validadas e adaptadas às condições reais dos territórios.


No caso do Cerrado, essa aproximação ganha relevância diante dos desafios relacionados à recuperação de áreas degradadas, produtividade agropecuária, conservação ambiental e adaptação às mudanças climáticas.


A experiência do Territórios em Regeneração reforça, portanto, a importância de combinar validação científica local, democratização digital e desenvolvimento tecnológico na construção de estratégias para uma produção agropecuária mais sustentável.



Territórios em Regeneração: próximos passos


O terceiro e último dia da missão técnica foi realizado na Faculdade UnB Planaltina (FUP) e marcou o encerramento das atividades presenciais.


Na ocasião, também foi gravado um episódio de podcast que será lançado posteriormente, ampliando o debate iniciado durante a missão e levando as discussões sobre gestão, inovação, tecnologia e sustentabilidade para novos públicos.


Mais do que concentrar suas atividades em três dias, o Territórios em Regeneração representa uma oportunidade de fortalecer redes de cooperação e aproximar diferentes conhecimentos em torno de desafios concretos dos territórios rurais.


A experiência mostrou que a transição para sistemas produtivos mais sustentáveis depende não apenas da disponibilidade de novas tecnologias, mas também da capacidade de transformar dados e conhecimento científico em soluções aplicáveis às realidades locais.


Ao aproximar pesquisadores, instituições públicas, setor produtivo e parceiros internacionais, a iniciativa reforça o papel da ciência e da inovação na construção de estratégias para a recuperação de pastagens, o desenvolvimento de uma pecuária de baixo carbono e a sustentabilidade dos territórios do Cerrado.


O evento Territórios em Regeneração funcionou como espaço de diálogo entre pesquisa, tecnologia e território, conectando experiências do Brasil e da Colômbia e buscando caminhos para transformar inovação em resultados concretos no campo.

 
 
 

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